Familiares e amigos de mecânico morto por PM há um ano em Mauá realizam protesto e cobram justiça
Familiares e amigos do mecânico Clayton Juliano da Silva,
que foi morto em julho do ano passado pelo policial militar Kaio Lopes Raimundo,
após uma discussão de trânsito, fizeram um protesto no último sábado (1),
cobrando justiça no julgamento do militar, que deverá acontecer na próxima
terça-feira (11). Segundo a família da vítima, a sessão já foi adiada em três
oportunidades.
O ato ocorreu no local onde o crime foi cometido, no
cruzamento entre a Avenida Barão de Mauá e a Avenida do Pilar Velho, no Jardim
Esperança, durante o final da tarde e reuniu cerca de 40 pessoas. Amigos e
familiares de Clayton utilizaram o momento para exaltar a memória do mecânico,
lembrando como ele era querido por todos. No final, os presentes também fizeram
uma oração.
De acordo com Vanusa Silva, mãe do mecânico, a manifestação
teve como intuito de não deixar que esse e outros casos caíssem no esquecimento.
“A carreata tentou mostrar as injustiças, não só com meu filho, mas também com
outras pessoas que foram assassinadas e até hoje não tiveram um julgamento
correto, e para mostrar que meu filho era uma boa pessoa, uma pessoa que só
fazia o bem, muito carinhosa e que tinha muitos amigos”, disse.
A mãe de Clayton também comentou sobre o atual estado de
saúde de seu neto, também atingido por um disparo. Segundo ela, o garoto – que
hoje tem 10 anos – não ficou com sequelas físicas, mas ainda convive com o projétil
que está alojado em seu corpo e espera pelo melhor momento para removê-lo.
“Eles (médicos) estão esperando para ver se a bala volta,
porque ela não avançará mais por não ter a ponta. Mas ele não vai poder ficar
com essa bala alojada. Os médicos explicaram que uma criança cresce e esse projétil
pode atrapalhar o desenvolvimento dele. Os estilhaços da ponta estão em volta
do osso. Os médicos estão esperando e se o projétil não sair, eles vão estudar
um meio de poder tirá-lo”, afirmou Vanusa, acrescentando que, por outro lado, o
neto ainda sofre com os danos psicológicos causados pelo episódio.
“O que mais o afetou foi o psicológico. Ele não passa pelo lugar em que aconteceu (o crime), ele não passa em frente a cemitério, ele tem pesadelos, está fazendo tratamento com psicólogos porque o afetou muito. O meu filho era o pai que ele não tinha”.
Relembre o caso
No dia 27 de julho de 2025, o mecânico Clayton Juliano da
Silva, de 38 anos, foi morto com um tiro na nuca, disparado pelo policial militar
Kaio Lopes Raimundo, de 32 anos, após uma briga de trânsito. Além de Clayton,
seu sobrinho – na época com nove anos de idade – foi atingido nas costas pelos
disparos. A esposa e a mãe do mecânico também estavam no carro. O episódio
ocorreu no cruzamento entre a Avenida Barão de Mauá e a Avenida do Pilar Velho,
na região do Jardim Esperança.




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